Resenha (?): Tank Girl 2 #1

Foi com uns 10 anos que eu comecei a ficar acordado até mais tarde, vendo os filmes no Telecine Happy (RIP). Foi por aí também que eu aprendi a ler legendas, na marra e na dedicação. Lembro quando consegui ver um filme inteiro com legenda, entender tudo e não pegar no sono, vitória épica, embora a única memória do filme seja o protagonista, um papagaio falante metido a comediante stand-up. Só tive um orgulho similar alguns (vários) anos depois, ao perder a virgindade.

Voltando aos meus primeiros encontros com essa minha grande amante, a tv de madrugada.  Numa dessas matinês acabei esbarrando em Tank Girl. Já tinha visto Mad Max by then (ref. cit. “Meu pai é motoqueiro”). Fui assistindo, de boa. Lembro que eu got the hots por alguém no filme. Espero muito que tenha sido pela Jet Girl (interpretada pela Naomi Watts, a única punheta digna da película.) Mas se não foi, tudo bem. Eu tinha 10 anos e eram mulheres semi nuas em uma ambiente pós-apocalíptico: um homem tem que fazer o que um homem tem que fazer.

O resto da noite é um borrão, nunca mais pensei em Tank Girl. Lembro de ver que o criador do Gorillaz era o criador de um gibi da Tank Girl, mas minha cabeça retardada não cogitou que fosse a mesma do filme. Tenho vivido a 10 anos em um tankgirless world.

Lokaum hein amg

Baixei um torrent com todos lançamentos em nome da garota tanque. Ia ler um chamado “Apocalypse”, mas esse tem o dedo do Alan Grant e o Alan Grant eu já vi fazendo O Lobo, então acabei optando pela primeira edição da segunda série (suponho), feita pelos dois criadores da personagem: o Jamie Hewlett e Alan Martin.

De cara dá pra ver porque o Damon Albraham pilhou em fazer o Gorillaz com o Hewitt. O gibi é uma SALADA MISHTA  – bom é ser feliz com Molejão – de referências e subculturas, não levando nenhuma delas a sério demais, mas sem debochar.  Por que, afinal de contas, a primeira coisa que a gente faz numa sociedade pós-apocaliptica com controle de água e eletricidade é se besuntar em cultura pop, naturalmente (Foi ironia aqui, mas daí eu lembrei de como essa reação faz sentido e funciona lindamente em Y – O Último Homem e acabei me perdendo).

Focando: no final tem uma finíssima história de quatro páginas sobre uma dupla policial dos 70s, um humano e um canguru – no mundo australiano da Tank Girl, os cangurus vestem roupas e conversam de boa, mais loko que o Tyler Durden inventando o clube da luta.

E nessa pequena história, o canguru Hutch diz: “It’s as boring as watching snot dry on a shirt sleeve”. E é mais ou menos como eu me senti lendo a história principal do gibi (que ta me deixando com Grant Morisson na cabeça).

Cheia de diálogos malucões e metalinguagem canastrona (que eu normalmente aprovo), a história acabou rebuceteando qualquer atenção e sincera fruição. Embora seja muito calcado no humor, eu não achei muita graça nas piadas. Como tipo aquele teu tio, alcoolizado, que te atropela na noite de Natal, Tank Girl acaba sendo mais porra louca que engraçada.

Espero que tenha sido um dia ruim meu,  logo ainda vou ler a segunda edição das quatro que fecham o arco. Pois, como todo homem de boa fé, não desisto fácil quando se trata de alguns cangurus usando roupas e falando.

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2 Respostas para “Resenha (?): Tank Girl 2 #1

  1. olha, me sinto menos isolada do mundo sabendo que OUTRA pessoa de ótimo gosto tb não curte Tank Girl. hshshshs

  2. “Um homem tem que fazer o que um homem tem que fazer” -> ahsiuehaoseiuhaseui

    Muito bom!

    Y the last man começa legal, mas quando passa de um terço da história comecei a achar meio sacal.

    Já o canguru falante, sei lá, acho que vale pelo antropozoomorfismo da coisa em si.

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