Desculpa, cara

Como tentei escrever um release de “Danton”  e acabei indo ao confessionário.

“Danton” é uma ficção, híbrido de conto e história em quadrinhos, escrito por Vinícius Perez e ilustrado por Niege Borges. O protagonista presente nas 16 páginas da publicação online é Danton Mello, o irmão de Selton Mello (me dói te designar assim, bicho, my bad). “Danton” é, basicamente, mais um dia ruim de uma temporada ruim na vida do Danton e sua jornada pelo mundo do entretenimento. Uma resenha (a única até agora) resumiu a narrativa como “uma homenagem nada lisonjeira”, enquanto amigos e família dos responsáveis pelo projeto usaram termos como “espírito de porco” e “mal intencionado” em suas críticas.

É uma pena, já que a intenção é a oposta: Danton não é o saco de pancada de uma piadinha sádica. Pelo menos não só isso. Ele é o representante do irmão do meio, o fantasma de uma humilhação na quinta-série, o paladino daquele sentimento constante de inadequação que fica sempre por perto tentando te sabotar. É até bom que isso se perca e que alguns entendam como um bullying (palavra do público essa, eu não ousaria fazer isso com vocês) com o ator: só quer dizer que as passagens quase autobiográficas do autor não são percebidas. O lado ruim são os medos consequentes disso: magoar o Danton Mello de verdade e ser processado pelo Danton Mello de verdade. Não exatamente nessa ordem: ser processado tira mais o sono (o autor se preocupa mais com a sua situação monetária do que com os sentimentos de terceiros, mas ainda assim se preocupa com os sentimentos de terceiros).

Deus, eu tô escrevendo uma carta de desculpas pro Danton (e como é vergonhoso escrever sobre si em terceira pessoa).

Sobre a obra mesmo: muito gosto de “Adaptação” do Kaufman, “Louie” do Louie e toda essa metapunheta autodepreciativa (e imagino que tenha ficado bem claro o quanto eu chupei disso tudo). O multimídia do projeto (ref.cit. híbrido de HQ e conto) foi totalmente acidental: entusiasta de gibis, tentei convencer desesperadamente minha namorada, o talento de verdade, a ilustrar a história inteira. Usei muita chantagem emocional e ela topou fazer quatro páginas (que posteriormente viraram cinco páginas através do uso de bruxaria). Com traço gringo e muito bom gosto, uns três amigos comparam os desenhos da Niege com Daniel Clowes e a família ficou em chamas (de felicidade pelo elogio e por escancarar mais um plágio: “Wilson”, do Clowes, também é uma saga [muito melhor] sobre um infeliz errante nesse mundo cão [e até o nome rima com Danton, por deus]).

O resto deveria ser preenchido pelo meu precário domínio da língua portuguesa (esse só menor que meu domínio do desenho, que me impedia de desenhar a história em primeiro lugar). Enfim, saiu aquilo. Quem não achou de mau gosto, elogiou e pediu mais. Como não sei lidar com elogios, logo abri as perninhas e comecei a escrever um volume 2 para estragar com tudo.

No mais: desculpa, cara. Mesmo mesmo.

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5 Respostas para “Desculpa, cara

  1. vinicius tu é doente

  2. “Você é o nosso Rob Schneider cara, nosso Rob Schneider”.
    Ponto máximo da história.

  3. As melhores desculpas estão na boca do traficante agiota de Rafinha Bastos: “Tu faz piada, bróder”. Se o Danton ler A Vida de Rafinha ele vai entender. Doença ou não, o texto é bom mesmo e a sua namorada arrebentou. Abraço.

  4. Pingback: Não é fácil ser irmão do Selton Mello. | Newronio ESPM

  5. cara, Danton é a obra da sua vida.

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