A invenção do botão de pressão

A invenção do botão de pressão, popular alternativa ao botão costurado presente em variadas peças do vestuário contemporâneo, ocorreu no ano 1479 por, até aquele momento apenas um camponês, Santiago de Gunderico. Conhecido em Sevilha, cidade espanhola onde nasceu e passou sua breve vida, Santiago de Gunderico muito atraía a atenção da população com seu comportamento boêmio e seus gestos espaçosos. Tais atitudes culminaram que fosse rapidamente apelidado pelos conterrâneos de Santiago Caos e Danação. O fato é que Santiago era dono de uma mente inquieta e, antes mesmo de inventar o botão de pressão, já havia criado uma atração que, apenas séculos depois, se tornou muito popular ao redor do mundo: o striptease. O camponês, entorpecido pelo consumo intenso de vinho (os seus favoritos eram de: romã, amora, amoras-silvestres, pêra, e sidra), tinha o hábito subir no balcão da taberna que frequentava e, em um ato brusco, abrir sua camisa, estourando botões que estavam costurados em suas roupas enquanto rebolava de maneira, segundo relatos, pecaminosa. Santiago, entretanto, era atormentado com o fato de ser um sujeito mirrado com pouca massa muscular. Não por acanhamento com o próprio torso, longe disso, mas por consequência das frequentes vezes em que seus braços “finos a ponto de passar na cabeça de uma agulha” não foram capazes de arrebentar todos botões, que, de tão bem costurados, acabavam o “afogando no embaraço do anticlímax”.

Estou sobre a mesa com a confiança de um carrasco e a leveza de uma guilhotina. Todos olhos me fitam com expectativa. Agarro o colarinho da minha  camisa e, como se me libertasse de um casulo sufocante, puxo cada gola para um lado oposto, arrebentando os dois botões iniciais da minha singela traje superior. Infelizmente, por fracasso próprio, o terceiro botou não arrebentou. Meu antebraço fraquejou. Solto as golas, relaxo os músculos, respiro fundo e tento de novo. Nada. Não consigo arrebentar o botão. Um sentimento de letargia toma conta do meu corpo enquanto abandono o recinto, com apenas um terço do meu peito de fato despido. (…) Confesso que até quanto bem executada a Dança de Despir-se (ainda não fui abençoado com a inspiração para batizar minha provocante invenção) me causa esforço intenso. A euforia do momento é realmente intensa e me faz sentir vivo, mas depois, quando já estou com o torso devidamente nu e todos ao meu redor já voltaram às suas atividades de confraternização, eu desço do meu palco improvisado e, como não sou realeza ou sequer um frade influente, recolho todos os botões para, quando chegar em casa, os costurar novamente à minha camisa. Ficar curvado, com o peito amostra, caçando botões  como um infante que procura besouros no gramado é uma atividade maçante e vergonhosa que me faz querer desistir. Ou, pelo menos, pensar em uma solução.
(Trecho de Diários de Santiago, publicado apenas em 1921).

trewsRetrato do Jovem Santiago de Gunderico
sintetiza seu espírito bonachão e festeiro.

Encarando seus próprios demônios, Santiago, sempre extrovertido e diariamente visto pelas vielas da cidade, se tornou recluso por um ano. Sua única companhia durante esse período foi Tobias, um porco selvagem que certa tarde invadiu seu jardim e nunca mais partiu. Durante esse ano recluso, suas únicas aparições públicas era nas manhãs de quinta-feira, sempre quinta-feira, quando saía de sua casa para jogar um esporte, uma variação de críquete, onde batia em uma bola com um taco e Tobias corria para busca-la. Após os 12 meses de auto-encarceramento, exatamente um ano depois do dia que decidiu se exilar, Santiago de Gunderico saiu de casa e marchou até a taberna. Lá, entre o completo silêncio dos presentes e sem falar uma palavra sequer, subiu sobre o balcão e abriu sua camisa. Nenhum botão voou mas mesmo assim a camisa abriu com facilidade ímpar. Em segundos ele fechou a camisa e repetiu o ato. Os presentes não acreditavam no que via. Ele havia inventado o botão de pressão.

Unindo dois discos de metal que podiam prender ao mesmo tempo qualquer tecido, o botão de pressão era abotoado com bem mais facilidade que o tradicional botão costurado, que exigia um buraco na camisa para encaixar a pequena roda suspensa por fios.

358px-Medieval_pig_slaughterSantiago, com um aspecto ermitão, praticando seu
peculiar esporte ao lado de Tobias.

Infelizmente o ano em que Santiago ficou recluso, alheio à sociedade, também foi o ano em que foi imposta a Inquisição Espanhola. O engenho inexplicável do botão de pressão somado à libido feroz de sua dança erótica causou frenesi em Tomás de Torquemada, inquisidor-geral dos reinos de Castela e Aragão, e, em novembro de 1479, Santiago de Gunderico foi executado queimado vivo com acusações de bruxaria e heresia.

484px-DruckknopfOs inquisitores consideraram que o botão, além de maligno por sua
essência, também representava a cópula, com o botão superior
representando o homem e o inferior a mulher.

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2 Respostas para “A invenção do botão de pressão

  1. Lindo relato histórico

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