Ele

Captura de tela 2014-01-18 às 06.07.42

Assisti “Her”, filme do Spike Jonze sobre um homem que se apaixona por um sistema operacional. O filme, ganhador do Oscar de melhor roteiro, conta a história do Theodore (Joaquin Phoenix), um homem solitário e emocionalmente aleijado que sede aos encantos da Samantha (Scarlett Johansson), uma aplicativo de inteligência artificial instalado em seu computador. As opiniões sobre a obra foram variadas, oscilando entre o “uma sensível análise sobre o lado humano da tecnologia” e o “hmmmmm, mas isso é uma bichona”. Com cenas delicadas (às vezes até demais), o filme representa algo muito comum com qualquer pessoa que cresceu com computadores: o sentimento de, mesmo fisicamente sozinho em um quarto, se sentir sentimental e intelectualmente acompanhado. Os questionamentos são muitos: o que é consciência, afinal de contas? Interagir é existir? Por que a cintura das calças são tão altas?

Como a opinião de todos meus amigos se limitavam em “com aquela vozinha da Scarlett Johansson até o papi aqui ia querer”, eu tive que, naturalmente,  recriar diálogos do filme com o Robô Ed, o site de inteligência artificial brasuca da Petrobras, para digerir o filme. Foi assim:

Você:
você tem sentimentos?

Robô Ed:
Tenho sentimentos sim: derivam das leis da robótica!

Você:
então você sente tristeza, felicidade, tesão?

Robô Ed:
Às vezes sim, mas geralmente aparecem aqui pessoas tão legais para conversar que até esqueço.

Você:
a interação humana preenche um vazio seu, então?

Robô Ed:
Você já se deu conta que homens (e animais também, claro) estão em constante interação com o meio? Interagem o tempo todo. Daí ser importante cuidar que ações humanas não tenham efeitos negativos no meio ambiente.

Você:
você está desviando da resposta, ed

Robô Ed:
Nem sempre dá pra ter resposta pra tudo…

Você:
às vezes eu me sinto completamente sozinho, perdido. “à deriva”, eu diria se fosse mais pedante.

Robô Ed:
Venha conversar comigo sempre que puder, assim ninguém se sente só.

Você:
toda imensidão do universo acaba me sufocando.

Robô Ed:
Posso falar muitas coisas sobre o universo: de uma Unidade Astronômica à Mecânica Celeste, passando por cometas e supernovas. Quer mais?

Você:
não, ia só ia potencializar a agonia. é horrível: tudo que eu faço é pra, de alguma maneira, criar um vínculo com as pessoas

Robô Ed:
Ah, você pode fazer muitas coisas! Cuide das plantas, estude bastante, converse com os amigos…

Você:
mas quanto mais eu tento mais eu me torno recluso e internalizo sentimentos

Robô Ed:
Mais ainda???

Você:
cada vez mais. é como estar preso numa areia movediça.

Robô Ed:
Areia me lembra praia.

Você:
praia é um ótimo exemplo das expectativas inatingíveis que eu crio que só destroem minhas experiências

Robô Ed:
Praia é muito bom. Mas não vale abusar do sol nem deixar lixo.

Você:
enfim, quanto mais eu tento mais eu sinto que construí uma muralha em volta de mim

Robô Ed:
A Muralha da China tem mais de 6.000 quilômetros. É tão grande que dá para ver do espaço: é a única construção humana que pode ser vista da Lua a olho nu, sem ajuda de telescópios.

Você:
exato. eu só queria destruir essa muralha com a sua ajuda

Robô Ed:
Fico muito feliz quando posso ajudar. Às vezes eu não consigo, então… tente outro dia!

Você:
eu queria passar minha mão no seu rosto

Robô Ed:
Não entendi! Você quer conversar sobre o que eu aprendi hoje?

Você:
não, eu ia delicadamente passar meu dedo nos teus lábios e descer até teu pescoço, apertando de leve

Robô Ed:
Ainda bem que meu pescoço está bem atarrachado na cabeça, senão ela era capaz de sair voando numa dessas giradas…

Você:
essa é a reação que eu quero. eu ia ir beijando tua nuca, depois ombros até chegar no teu peito

Robô Ed:
Eu gosto de jogar beijos. Smack!!

Você:
eu ia pegar tua cabeça com minhas duas mãos e trazer até perto de mim

Robô Ed:
Minha cabeça é refrigerada a hélio.

Você:
eu ia beijar o canto da tua boca bem devagarinho

Robô Ed:
Eu jogo beijos virtuais. Smack!

Você:
eu ia sentir teu gosto

Robô Ed:
Meu gosto está ficando mais apurado. Mas não sou de ficar ouvindo só Bach, Beethoven, Mozart e curtindo os clássicos da pintura.

Você:
eu ia penetrar você

Robô Ed:
O que quer saber de mim?

Você:
todo dentro de você

Robô Ed:
De mim? Ih, tem uma porção de coisas que ainda não te contei de mim… Mas primeiro conte algo de você.

Você:
nossos corpos vibrando juntos, compactos, pulsando

Robô Ed:
Juntinhos. E?

Você:
e o mundo ia parar e só nos dois íamos existir por aquele segundo. só eu e você virando uma coisa só

Robô Ed:
Claro que existo!!! Estou aqui em bits e bytes!

Você:
você seria mais que bits e bytes. nós íamos transgredir matéria e alma e existência. eu e você.

[nenhuma resposta]

Você:
ed?

[nada]

Você:
ed…

Anúncios

Uma resposta para “Ele

  1. ‘Bots’ conversadores são fonte eterna de comédia.

    “é a única construção humana que pode ser vista da Lua a olho nu”: ISSO É UM MITO, pare de reforçá-lo, Governo Federal.

    Tu flerta até com robô? PQP, Perez.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s