Arquivo da categoria: Gibi

Dia do Saci

O filme começa com Chico Alencar, deputado federal responsável pelo Dia do Saci (um projeto que visa celebrar o folclore brasileiro em contraposição ao americanizado Dia das Bruxas) , em um protesto na frente de uma festa de Halloween. Ele berra frases de efeito enquanto passam jovens vestidos de Jason, Freddy Krueger e Michael Myers. Há também uma montagem de cenas dele colando adesivos da bandeira do Brasil em enfeites de terror, como abóboras e pequenos crânios de plástico, de lojas de doces.

Porém, já de noite, em sua casa, o deputado começa a perceber estranhos fenômenos (chaves somem, havia caco de vidro em seu sapato) e ele percebe que está sendo assombrado pelo próprio Saci Pererê. Agora Chico Alencar luta para sobreviver uma aterrorizante corrida pela própria vida contra o negrinho de uma perna só.

No final, o deputado, aos prantos, rasteja para trás enquanto o Saci se aproxima lentamente saltando em sua única perna. Chico Alencar esbarra em uma caixa e dezenas de abóboras caem ao seu lado. A última cena consiste nele atirando as abóboras de Halloween no Saci, tentando sobreviver.

Anúncios

L’esprit de l’escalier

Acho que eu tinha uns 12 anos. Era verão e eu estava passeando com meu pinscher magrelo pelas ruas de Muçum (5 mil habitantes) em uma tarde de domingo. As ruas da cidade já eram desertas nos dias úteis e o sossego dominical fazia Muçum parecer uma cidade fantasma. Estava distraído brincando com meu adorável cãozinho (agora, adulto, posso afirmar que sou um membro do clube dos Homens Heterossexuais Que Adoram Pinscher) até perceber que três rapazes caminhavam em minha direção, todos mais velhos e claramente mais fortes que eu. Um deles olhou para nós e rosnou:

– Não sei quem é mais feio, tu ou o teu cachorro.

L’esprit de l’escalier é uma expressão francesa (eu sou heterossexual mesmo, juro) para quando uma resposta para uma ofensa vem tarde demais e eu, hoje, 10 anos depois, acabo de pensar em uma refutação que seria melhor do que simplesmente voltar cabisbaixo para casa como eu fiz. Eu deveria ter olhado ele nos olhos e falado:

– Engraçado tu achar feio, porque a tua mãe não reclama. Digo, quem come ela é o cachorro, né? Eu nunca ia colocar meu pau naquela buceta imunda.

PS. Se você está sentindo pena do pequeno Vinícius e da cicatriz que esse trauma fez em sua pisque, saiba que o cara que falou isso, poucos anos depois, morreu em um acidente de carro, então: deboa.

A Vida de Rafinha Bastos

Feriadão, quatro dias de comida congelada e tempo livre. Daí li que o Rafinha Bastos ia ter um uma série autobiográfica e pensei: por que não escrever um piloto?

“A Vida de Rafinha Bastos”

INT. GALPÃO SOMBRIO (Som de gotas caindo, alarme de carro distante)

RAFINHA BASTOS amarrado em uma cadeira, de costas para  a tela. TRAFICANTE, com cicatriz no rosto, brinca com um estilete.

TRAFICANTE (com a língua presa)
Então foi pra isso o dinheiro?

TRAFICANTE aponta para notebook com vídeo de Rafinha Bastos no YouTube.

TRAFICANTE (continuando)
Você perde o emprego, então pega dinheiro emprestado com o tráfico para fazer vídeo pra internet? E ainda NÃO paga essa dívida. Você só pode ser a pessoa mais estúpida que eu já vi na vida.

RAFINHA BASTOS (cabisbaixo)
Eu achei que ia ser bom, ia ser bom pra mostrar que eu mantive minha credibilidade artística.

TRAFICANTE
Credibilidade artística?! Tu faz piada, bróder. Não são ruins as piadas, eu tenho um tio, ele Tá em um estágio bem avançado de Alzheimer e ele faz umas piadas bem boas tipo as suas. Vocês iam se dar bem. É uma figura. As vezes ele vê foto de mulher dirigindo no Facebook e comenta: ‘Que perigo”. É um brincalhão, sua cara. Eu particularmente concordo com algumas coisas: mulher é tudo puta, todos viados devem morrer…

RAFINHA BASTOS (interrompendo)
Eu nunca falei isso.

TRAFICANTE
Lógico que não (pisca com canto do olho). Assim como você também não pegou 5 mil emprestado

do tráfico pra fazer vídeo de piadinha na Internet.

RAFINHA (em tom irônico)
Melhor que fazer aqueles comerciais que o YouTube obriga a ver que nem o resto do CQC.

TRAFICANTE
Chegou de piada, piadista.

TRAFICANTE crava estilete em uma tábua, tira uma arma das costas e dá uma coronhada no rosto de RAFINHA. A imagem

congela no rosto sendo agredido e, sobre o frame congelado, aparece o título:

“A VIDA DE RAFINHA BASTOS”

EXT – PARQUE

RAFINHA BASTOS (fazendo carinho no próprio rosto)
Eu não sei mesmo. Eu tô completamente perdido. As pessoas me odeiam, minha vida tá sem um propósito. Eu me sinto constantemente como o tio que bebe demais e estraga a noite de natal.

VOZ FEMININA (em off, ainda enquadrando apenas Rafinha)
Fodam-se esses putos. O que falta pra esses boqueteiros é uma boa piroca atolada no cu.

Enquadramento abre e vemos que é Sandy Leah que está do lado de Rafinha Bastos. Ambos estão com roupas de ginástica se passando uma bolinha de tênis enquanto conversam.

SANDY
Eu, mais do que ninguém, sei que chove bicha louca nessa indústria.

RAFINHA ri, passa a bola para Sandy, que joga de volta e Rafinha não consegue pegar. A bola rola até uns palhaços de rua (um deles fuma um cigarro) que vendem algodão doce. Rafinha para.

SANDY
Não vai pegar a bola?

RAFINHA
Tu não pode pegar pra mim?

SANDY
Cê tem medo de palhaço, bicho?

RAFINHA
Não de todos palhaços. Mas desses sim. Desses que são mal pagos, tão com a cara pintada embaixo do sol do meio dia e só fazem isso porque não queriam trabalhar como faxineiros. O sonho deles não é sair e trazer alegria pras pessoas,  eles não terminaram o ensino médio e pensaram “nossa, mãe, quero fazer curso de clown, quero ir pra europa ser clown”. Então sim, eu tenho medo de palhaço.

SANDY (rindo e indo pegar a bola)
Boiola.

Sandy e Rafinha chegam em uma esquina, onde mais umas pessoas esperam para o sinal abrir. Rafinha não percebe que o sinal está fechado e continua andando. Um adolescente no celular vê, de canto de olho, aquela silhueta passando e o acompanha, acreditando que o sinal tenha aberto. Rafinha percebe que vem um carro e dá um passo para trás. O adolescente, imerso no seu celular, continua andando e é atropelado brutalmente.

Sangue esguicha no rosto de Sandy.

RAFINHA encara catatônico a situação.

MULHER
Monstro! Assassino!

RAFINHA
Eu não vi! Eu não imaginei que ele fosse andar junto, eu nem percebi que eu tinha ido…

SANDY (interrompendo e limpando o sangue do rosto no casaco de Rafinha)
Ninguém viu, não aconteceu. Bóra.

Sandy para um taxi e puxa Rafinha para dentro do carro.

INT. – TÁXI

SANDY
Mas então, agora que tu fica o dia inteiro a deus dará, tem visto muita TV?

RAFINHA (mexendo no celular, meio distante)
Não muito. Eu baixo mais filmes, né. Tem que ser meio otário pra ver TV hoje em dia, assinar TV a cabo. Tem tudo de graça na internet.

SANDY
Às vezes eu vejo o número de vendas do meu cd, ganho disco de platina, e penso: “da onde vem essa gente?! 1991? tem de graça na internet, seus imbecis”. Essas pessoas já tomam remédio antibiótico ou penincilina é outra tecnologia que eles preferem não aderir?

RAFINHA ri, mas ainda mais distante.

SANDY
O que houve, bicho? Tá mal pelo acidente de antes? Isso acontece mesmo, cara. Uma vez tava eu, André Marques e uns 4 quilos de m…

RAFINHA (interrompendo)
Não, é que, é que me chamaram de gordo no Twitter. (aperta uma teta) Eu tô gordo?

SANDY
Bicho, tu tem mais de quatro milhões de seguidores, isso é mais que a população do Brasil e

RAFINHA (interrompendo)
Eu tenho quase certeza que não.

SANDY
O fato é que uma pessoa diz isso e tu já te afeta e…tá, tu tá gordo. Gordíssimo. Que porra tu tá comendo? Pastel no café da manhã? Milkshake de bacon?

RAFINHA (descendo do carro)
Eu tô com minha roupitcha, meu iPod. Me deixa aqui que eu vou correndo pra casa, ficar em forma, magérrimo tipo o Cazuza no fim de carreira.

SANDY (pela janela com o taxi partindo)

É por essas piadas que tu não tem emprego.

EXT. RUA

Montagem em câmera lenta. Rafinha coloca arruma tênis, tira a jaqueta e a joga no chão da rua, coloca os fones e aperta play. Começa tocar “Vou Deixar” do Skank. Rafinha corre, sua, sorri, como se o esporte exorcizasse todos demônios dos últimos meses. Rafinha começa a ficar ofegante. Cada vez mais.

Nos fones, Rafinha ouve:

Vou deixar a vida me levar
Pra onde ela quiser
É melhor desistir
Seu leitãozinho infeliz

Rafinha faz cara de espanto com o que ouve, cada vez mais ofegante, massageando o peito com a mão. A visão de Rafinha começar a ficar turva e girar. Enquanto isso, ele ainda ouve, no ritmo da original:

Seu gordo simplório
Quer almoçar churros
Doce de leite e
Lasanha de quatro queijos

Rafinha, escorando num muro, vê Samuel Rosa com uma guitarra se aproximando, cantando agora pessoalmente:

SAMUEL ROSA
Tuas veias tão entupindo
Tu não vai chegar nem nos 50 anos
Esse teu coração vai explodir

Rafinha começa a fechar os olhos. Tudo fica escuro.

Em visão subjetiva, Rafinha Bastos abre os olhos. Percebe que um mendigo criança rouba um de seus tênis e sai correndo. Olha para frente e vê um paparazzi que bate uma foto. Um flash é disparado.

INT. ESCRITÓRIO DO RAFINHA BASTOS

A imagem que recebeu o flash (Rafinha deitado no chão, sujo e sem seus sapatos) agora é uma foto impressa em um jornal que Rafinha lê, abaixo da manchete “Comediante espírito de porco debocha de mendigos no centro de São Paulo”. Rafinha larga o jornal quando seu estagiário, um menino oriental de aparência infantil, entra no escritório.
ESTAGIÁRIO
O seu agente está o esperando para o almoço.

RAFINHA
Ok, já tô indo, Matsumoto…Takashi? Kurosawa? Qual o seu nome mesmo?

ESTAGIÁRIO
Daniel, senhor.

RAFINHO (passando a mão na cabeça do estagiário, bagunçando o cabelo)
Isso, Daniel-San. Avisa que eu já tô indo.

INT. RESTAURANTE

Rafinha senta em uma mesa de uma padaria ao lado de um homem de chinelo, bermuda, barba por fazer e cabelo sujo e desgrenhado.

RAFINHA
Conseguiu meu ingresso?

AGENTE
Que ingresso?

RAFINHA
Porra, o da Madonna. Eu pedi faz meses, tu falou que conseguia.

AGENTE
Putz, esqueci. Não tem como tu comprar?

RAFINHA
800 reais, cara. É pra minha mulher, ainda. As pessoas falam do casamento legalizado, mas maior benefício em ser heterossexual é não precisar pagar 800 reais pra ver a Madonna.

AGENTE
Uououououou. Alto lá, campeão. (curva para frente e sussurra) Isso é aí homofobia. Pega leve. Esse comportamento que te colocou nesse lugar em primeiro lugar. Tu sabe que se fosse um ano atrás, tu conseguia esses ingressos assim (estrala os dedos). Como era? O twitter mais bonito da cidade, Revista Times? Cada uma, haha.

RAFINHA (cansado)
Tu podia te esforçar um pouco mais, né? Tentar conseguir algo pra mim. Ou pelo menos te vestir que nem um adulto. Por Deus, tu é meu agente.

AGENTE
Vai querer que eu bote um terno agora? Tá com saudade do CQC tá? Hahahahha!

RAFINHA (mais cansado ainda)

Cara, isso não tá funcionando. Não sei. Essa nossa dinâmica. Tô pensando em procurar outro agente.

AGENTE fica sério. Perde qualquer feição brincalhona. Abre a boca para argumentar quando é interrompido por um adolescente na rua, de uniforme escolar:

ESTUDANTE
RAFINHA BASTOS, VAI TOMAR NO CU.

Agente aproveita a oportunidade.

AGENTE
Quer que eu resolva isso? Eu vou resolver isso. Cliente meu não aceita sapo de qualquer um. Espera aí.

RAFINHA
Não precisa, não foi nada. Não precisa!

Agente sai correndo atrás do estudante.

Montagem de perseguição pelas ruas de São Paulo.

INT. METRÔ

Estudante entra no metrô. Agente segue.

EXT. RUA

Rafinha Bastos caminha ouvindo “Love of My Live” do Queen, ao vivo no Rock in Rio. Ele canta junto, bem baixinho. Apenas a plateia canta no ao vivo e Rafinha apenas escuta. Rafinha fala “It’s beautiful” junto com Freddie Mercury.

INT. METRÔ

Estudante desliza por baixo da roleta. Agente coloca os chinelos na mão e pula por cima da roleta, se apoiando nas beiradas.
EXT. RUA

Rafinha Bastos dá uma moeda para um mendigo e senta em um degrau de uma igreja. Coça a cabeça como quem procura lógica na vida.

INT. METRÔ

Agente pega o Estudante pelo casaco e o segura em um mata-leão. Agente tira o celular do bolso, tentando dominar o Estudante que se mexe bruscamente para tentar escapar do mata-leão e mexer no equipamento ao mesmo tempo.

EXT. RUA

Celular de Rafinha Bastos toca. Ele tira do bolso. É uma mensagem do agente. Ele abre e é uma foto do Agente sorrindo segurando o Estudante em um mata-leão e a frase “Desculpa =/”.

Rafinha sorri olhando para a mensagem.

ASSALTANTE (apontando uma faca)
Passa o celular, tio.

RAFINHA
O que?

ASSALTANTE
Cê é surdo? Quer que eu fure sua orelha pra cê ouvir? O celular, caraio.

Rafinha entrega o celular. Assaltante pega e olha confuso para Rafinha.

ASSALTANTE
Porra, cê não é da TV?

RAFINHA (com um pouco de esperança de recuperar o celular)
Isso! Eu..

ASSALTANTE (interormpendo)
Lógico! O gordo do VideoShow! André Marques, né? Valeu aí, Mocotó! (balançando o celular no ar).

Rafinha Bastos suspira.

FIM.

Curriculum vitæ


Fun Home

“Porra, velho. Me apaixonei pela mina do gibi que eu to lento. E ela lésbica. E 2D também.”. Mais ou menos assim que descrevi Fun Home pro meu namorado virtual John Pedro (é o nome dele mesmo). Eu tava pela metade do livro e encantado com a disfuncional e divertida história da família Bedchel. Na real a história é só disfuncional, mas a autora/desenhista Alison Bedtchel é uma phd em ser hilariante.

Não sei muito sobre ela como cartunista, mas to ligado que ela tem uma série de tiras sobre ser lésbica, se chama Dykes to Watch out For. Culpem minha criação católica, mas acho o nome meio intimidador, tipo aquelas cartunistas amigas da Amy em Chasing Amy. O que até que é massa, curto um homossexualismo bolado, vide minha man-crush no Keith do Six Feet Under.

Voltando, nesse livro autobiográfico ela descreve a vida da família dela em Beech Creek, principalmente a relação dela com o pai. Não quero spoilear a história, mas o detalhe em cada quadrinho se relaciona genialmente com o texto, dá um tom de intimidade incrível, onde ela aproveita e coloca vários fun facts irrelevantes (na real, pra mim são fundamentais) para história em si, e fica muito lindo, o storytelling te faz crescer junto com a família.

Tem um trecho muito bom, onde a Alison nos conta como seu pai amava cuidar do jardim. Pra acentuar essa paixão ela cita um trecho de um livro do Proust, onde o narrador está descrevendo um jardim lindíssimo e no meio desse jardim há uma mulher igualmente lindíssima. A beleza de ambos são tão esmagadoras que o narrador não consegue distinguir o que é jardim e o que é mulher. Terminando de citar, Alison Bedtchel conclui “Se já houve bicha maior que meu pai, foi Marcel Proust.”

A relação dela com livros é apontada o tempo todo, e pasmém, não soa intelectualóide bunda mole ou dissimulando falta do que falar com citaçãoes. É uma belíssima representação de como uma boa literatura influi nos rumos de como vemos nossas própria história, não lembro de ver uma relação com livros ser apresentada de uma maneira tão real e indentificável.

Ah, e ela desenha pra caralho.

Download: The Megalomaniacal Spiderman – Peter Bagge

Recentemente eu vi essa edição Strange Tales da Marvel onde eles liberaram todo o acervo de personagens pra galera ãndergráum pirar em cima e tacar o puteiro.  O mestre Dash Shaw tá lá, o Johnny Ryan (menino dos olhos da bróder Mari Messias) também. E o Peter Bagge (criador do Buddy Bradley) também, fazendo uma história do Hulk.

Mas o torrent tá lento como uma doença degenerativa que causa muito sofrimento, eu só consegui baixar um lance similar, anterior a essa antologia dos quadrinistas alternativos. É uma edição só do Homem-Aranha e é de um espírito de porco finíssimo.

Upei pra vocês, seus fofos. Só BAIXAR.

Colírio da Confraria

Uns anos atrás o Arthur, um bróder que tocava comigo numa banda cover de Stooges e Dead Boys aos 15 anos, rejeitou minha recomendação da antologia do American Splendor que saiu aqui no Brasil (Dois Anti-Heróis Americanos, pela Conrad,  aquele que só tem as edições que o Crumb desenhou). O argumento do parceiro foi: “Esses teus quadrinhos artisticos são uma viadagem”. O Arthur é, assim como eu, fanboy do Homem Aranha.

E tipo, a gente tá falando do Pekar e do Crumb,  toda piração sexual e o mau-humor cotidiano. Tem uma sensibilidade artística ali, mas é uma sensibilidade machíssima.

Deixando claro que eu curto muito umas coisas mais artsy, achei Jimmy Corrigan um troço épico (quanto contraste e maestria, amigão) e sou tiete do Dash Shaw . São livros de verdade ali, mas não tenho a pretensão de achar superior aos quadrinhos de herói (que eu também leio), não encho a boca pra falar “estou lendo uma graphic novel.” que nem essa  galerinha eunuca, e até acho que tem muito quadrinho supostamente transgressor que perde muito em beleza (na arte e na história) pra gibis como “Potestade” do Aranha, trabalho fantástico de eu nem sei quem.

Quando comentei que ia comprar Fun Home, um outro amigo meu me replicou com um olhar que sutilmente dizia “aiaiaia histórinha só sobre uma família normal, nossa, hein, que humano e que profundo AI mas é numa funerária NOSSA que maneira incrivel que refletir por favor reflete no meu saco escrotal”. Certo que se ele soubesse que minha namorada me deu Retalhos de presente teria a singela dúvida: “Veio junto um STRAP-ON pra ela te SODOMIZAR?”

E foi acumulando esse bullying que eu se criou esse efeito colateral na minha cabeça: COLÍRIO DA CONFRARIA.

CdC de Hoje: Nightwing

Fui ler novidades sobre quadrinhos e esbarrei nessa imagem. Um arco-íris feito de papel crepom é mais hétero que essa bunda (dura como um rochedo, aposto).

Resumindo a ópera: força nesse preconceito cultural, foliões, pois é engraçado a dar com pau.