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detetive de verdade

Não vou me estender sobre os acontecidos do episódio final (ref. cit. “sem spoiler, plz”), nem para listar as referências literárias encontradas ao decorrer da série ou me afundar nas digressões pessimistas do protagonista Rust Cohle (confesso que, enquanto telespectador, eu me portava com o personagem do Woody Harrelson, revirando os olhos sempre que o detetive vinha com existencialismo pra cima de mim). Eu vou usar esse espaço para jogar um jogo chamado “E se fosse no Brasil?”, onde adaptamos o elenco para nossa terrinha. Vamos lá, ok? Ok.

E se fosse no Brasil?

Martin Hart, personagem de Harrelson, é o homem comum. Sem firulas intelectuais, Martin não gosta de excentricidades: “don’t say shit like that!”, exclama pra repreender seu parceiro quando esse engata em um monólogo ateu. Marty é o tipo de sujeito que renega o poliamor pois entende que a dupla monogamia & infidelidade já deu certo por tantos anos que não tem porque começar a inventar. Pragmático e másculo, no Brasil seria interpretado por Alexandre Frota, uma muralha indestrutível que acredita que um homem tem que fazer o que um homem tem que fazer.

Serginho “Cabeção” Hondjakoff é, claramente, nosso Rust Cohle. Com uma magreza preocupante, olheiras profundas e sinceridade brutal nas entrevistas, Cabeção praticamente vive sob o pathos pessimista do filósofo romeno Emil Cioran e é a única escolha possível para ocupar o lugar do personagem de Matthew McConaughey. “Tenho hérnia de disco e fiquei com medo de ir, me machucar, além de brigar com alguém e me queimar. No fim, me arrependi de não ter ido”, foi o que respondeu Cabeção quando indagado pelo UOL Entretenimento sobre o motivo de não ter participado d’A Fazenda. Remorso, insegurança, dúvida, decadência física. Tudo isso dolorosamente identificável para todos nós.

Na abertura, “Jogando com o Capeta” do Moreira da Silva, que canta: “deus me defenda do senhor”, falei em deus mas sem má intenção / mas para mim foi muito bom, porque deu um estouro e sumiu / era o capeta, mete cabelão – mas que cheirinho de alcatrão.

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Como não se portar em uma entrevista de emprego

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